A flora intestinal, também conhecida como microbiota intestinal, é um conjunto de bactérias que vive e se desenvolve no intestino, sendo conhecida como microbiota residente. Embora sejam bactérias, esses micro-organismos são bons para o corpo, pois evoluíram ao longo de milhares de anos para criar uma relação benéfica com o intestino.
Assim, tanto a própria pessoa, como as bactérias tiram benefícios desta relação. Por exemplo, o intestino fornece toda a matéria e nutrientes necessários para o crescimento e reprodução das bactérias, enquanto as bactérias auxiliam na digestão dos alimentos, ao mesmo tempo que criam um ambiente intestinal que não permite o desenvolvimento de bactérias ruins que poderiam causar doenças.
Apesar da flora intestinal ser algo que surge naturalmente, nem sempre está nos seus níveis ótimos, podendo surgir desiquilíbrios que facilitam o desenvolvimento das bactérias ruins. Assim, pode ser necessário tomar remédios para repor os níveis dessas bactérias, que são conhecidos como probióticos
Uma das melhores formas de manter um flora intestinal saudável é fazendo uma alimentação saudável e variada, rica em legumes e vegetais e com poucos alimentos industrializados, frituras ou alimentos açucarados. Além disso, apostar em alimentos ricos em fibras, como aveia, linhaça ou feijão com casca, também ajudam a manter o bom desenvolvimento das bactérias da flora intestinal.
Outra opção que deve ser incluída recorrentemente na dieta são os alimentos probióticos, que são alimentos que contêm bactérias boas que vão ajudar a povoar o intestino. Alguns exemplos incluem o iogurte natural, o kefir ou o kombucha.
Porém, quando a flora intestinal já está alterada, surgindo sintomas como excesso de gases intestinais e diarreias frequentes, ou prisão de ventre, por exemplo, a melhor forma de tratar é ingerindo remédios probióticos.
Como tomar remédios para a flora intestinal
Os remédios que melhoram a flora intestinal são os probióticos. Estes remédios são pequenas cápsulas que contêm vários milhões de bactérias vivas que são ingeridas para chegar no intestino e ajudar a equilibrar a microbiota.
Embora os probióticos sejam utilizados mais frequentemente por adultos, também pode ser usados no bebê e na criança, com supervisão do pediatra, especialmente no caso de bebês que nasceram por cesárea e não fazem amamentação. Para isso, já existem probióticos em forma de xarope, que podem ser dados junto com a comida.
Existem vários tipos de probióticos, mas normalmente os melhores são os que possuem mais tipos de bactérias e em maior número. No entanto, é sempre aconselhável consultar um gastroenterologista ou um naturopata para saber qual o melhor para cada caso, já que diferentes tipo de probióticos podem ser usados para tratar problemas de saúde diferentes.
Quando tomar remédios para a flora intestinal
Os probióticos geralmente são utilizados quando surgem sintomas de desiquilíbrio da flora intestinal, no entanto também podem ser usados ao mesmo tempo que se está fazendo o tratamento com antibióticos, por exemplo, para substituir a microbiota que está sendo eliminada e evitando o surgimento de diarreia.
Além disso, os probióticos são ainda importantes durante infecções intestinais, como gastroenterites, para ajudar a repor a flora saudável, acelerando a recuperação.
Em pessoas com prisão de ventre crônica ou diarreias frequentes, pode ser boa opção fazer probióticos por cerca de 2 a 3 meses, 2 vezes por ano, para regular o intestino e melhorar seu funcionamento.
Benefícios de uma flora intestinal saudável
Os benefícios da flora intestinal saudável são:
- Melhorar a digestão dos alimentos e a absorção dos nutrientes, pois garante as condições essenciais para a fermentação de nutrientes não digeríveis, como é o caso das fibras dietéticas;
- Fortalecer o sistema imune, diminuindo a quantidade de bactérias más e reduzindo a frequência de aparecimento de doenças;
- Favorecer o crescimento de microrganismos que ajudam a produzir ácidos graxos de cadeia curta, como o butirato. Esse ácido graxo é a principal fonte de energia para as células do cólon, além de induzir a morte das células do câncer de cólon e ter efeitos benéficos na glicose e no equilíbrio energético;
- Prevenir a obesidade e algumas doenças como a diabetes, doença inflamatória intestinal, artrite psoriática e doença celíaca, pois ajuda a evitar a disbiose, ou seja, o desequilíbrio da flora bacteriana intestinal que aumenta o risco de doenças;
- Prevenir a ansiedade e a depressão, já que tem sido relatado que a flora intestinal é um importante regulador da produção de neurotransmissores, como a serotonina, que melhora a sensação de bem-estar, ajudando a combater a ansiedade e a depressão.
Por isso, manter uma microbiota intestinal saudável parece ser uma boa forma de garantir uma melhor saúde geral, não estando apenas relacionado com o funcionamento do intestino.
Como surge e evolui a flora intestinal
O desenvolvimento da flora intestinal se inicia no momento do nascimento e, ao longo dos primeiros meses de vida, vai sendo moldada de acordo com as doenças que o bebê pega, o uso de antibióticos e o tipo de alimentos que ingere.
O primeiro contato do intestino com as bactérias parece ser durante o parto e, por esse motivo bebês que nascem por parto vaginal normal apresentam uma primeira flora intestinal diferente de bebês que nascem por cesárea. Isso acontece porque no parto vaginal, o bebê entra principalmente em contato com as bactérias do canal vaginal e do intestino da mãe, enquanto na cesárea as principais bactérias são as da pele da mãe e as do ambiente hospitalar.
Esta flora vai mudando e crescendo até por volta dos 2-3 anos, momento em que se encontra semelhante à de um adulto. Assim, a fase mais importante de crescimento e estabelecimento da flora acontece na primeira infância e, geralmente, as bactérias que se encontram presentes por volta dos 3 anos vão se manter por toda a vida. No entanto, e embora seja mais difícil, a flora também pode ir variando ao longo da vida, especialmente devido a maus estilos de vida em adulto, por exemplo.


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